OLHARES

OLHARES
ESPIRITISMO

quinta-feira, 14 de junho de 2012







Utopia 
Padre Zezinho 

Das muitas coisas 
Do meu tempo de criança 
Guardo vivo na lembrança 
O aconchego de meu lar 
No fim da tarde 
Quando tudo se aquietava 
A família se ajuntava 
Lá no alpendre a conversar 

Meus pais não tinham 
Nem escola e nem dinheiro 
Todo dia o ano inteiro 
Trabalhavam sem parar 
Faltava tudo 
Mas a gente nem ligava 
O importante não faltava 
Seu sorriso, seu olhar 

Eu tantas vezes 
Vi meu pai chegar cansado 
Mas aquilo era sagrado 
Um por um ele afagava 
E perguntava 
Quem fizera estripolia 
E mamãe nos defendia 
E tudo aos poucos se ajeitava 

O sol se punha 
A viola alguém trazia 
Todo mundo então queria 
Ver papai cantar pra gente 
Desafinado 
Meio rouco e voz cansada 
Ele cantava mil toadas 
Seu olhar no sol poente 

O tempo passa 
E hoje eu vejo a maravilha 
De se ter uma família 
Enquanto muitos não a tem 
Agora falam 
Do desquite e do divórcio 
O amor virou consórcio 
Compromisso de ninguém 

Há tantos filhos 
Que bem mais do que um palácio 
Gostariam de um abraço 
E do carinho de seus pais 
Se os pais se amassem 
O divórcio na viria 
Chamam a isso de utopia 
Eu a isso chamo paz.

CHICO XAVIER

Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta." Chico Xavier